Entrevista com Natalie Haanwinckel

O Provisões publica hoje sua primeira entrevista. Ela é com professora Natalie Haanwinckel Hurtado, presidenta eleita do Instituto Brasileiro de Atuária para a gestão 2008-2010, e que gentilmente respondeu a cinco questões por mim enviadas.

Professora, como conheceu a atuária, decidiu ingressar nessa profissão e chegou à presidência do IBA?

Conheci a Atuária na Universidade. Antes disso, sabia muito pouco sobre a profissão. Quando fiz o vestibular para a UFRJ, escolhi Matemática, pois sempre soube que faria uma carreira ligada a esta ciência. Naquela época, os alunos escolhiam, dentre os cursos oferecidos pelo Instituto de Matemática, o curso que seguiriam depois do 4º período e eu escolhi Atuária porque foi o curso que mais correspondeu a minha afinidade pela utilização mais prática e financeira da Matemática. Da minha conclusão de graduação até chegar à presidência do IBA passaram-se 14 anos, todos dedicados ao aperfeiçoamento acadêmico e à formação de graduação de novos atuários na UFRJ. Fiz mestrado na COPPE e doutorado no COPPEAD e entrei para o corpo docente da UFRJ em 1998. A partir de 2006, tornei-me coordenadora de graduação do curso de Ciências Atuariais da UFRJ e daí veio o convite para participar mais efetivamente do IBA.

E, hoje, como a senhora vê a Ciência Atuarial, no Brasil e no mundo? Quais as perspectivas para os atuários e futuros atuários?

A Ciência Atuarial, tanto no Brasil como no mundo, está, no longo prazo, em fase de expansão, tanto na área de aposentadorias privadas e seguros e resseguros. Claro que para que a Atuária efetivamente cresça, é necessário haver economias fortes e mercados de capitais operantes. Com esta crise que estamos hoje vivenciando, um dos efeitos colaterais pode ser uma certa retração no mercado, por conta de dúvidas sobre a segurança dos sistemas de seguros e fundos de pensão por parte do público em geral. Porém, turbulências nos mercados de capitais fazem parte do jogo e são momentâneas. A partir de tais crises, o mercado novamente se regula e cria mecanismos para melhorar os níveis de segurança dos investidores e incrementar seu próprio crescimento. Vejo que, mais do que nunca, as perspectivas para os atuários (atuais ou futuros) são promissoras desde que estes atuários estejam cada vez mais envolvidos e compreendam bem o lado do ativo do balanço atuarial, ou seja, o atuário deve ser um especialista também em finanças e, especialmente, nas conseqüências que os investimentos têm nas obrigações assumidas com os participantes.

Qual a sua visão sobre a educação de atuária no Brasil, com novos cursos de Ciências Atuariais sendo criados, e como a sua gestão tratará este tema?

Dada a necessidade de o atuário hoje compreender bem o lado financeiro e seus impactos sobre o passivo atuarial, não existe mais a possibilidade de os cursos de Atuária não possuírem uma forte base matemática. Esta é uma tendência mundial. Assim, os cursos novos terão que levar isto em consideração para que não sejam futuramente anti-selecionados. Somente os cursos que ofereçam forte base matemática e disciplinas com uma visão da relação entre Finanças e Atuária conseguirão se manter no sentido de captar alunos. O IBA não tem a prerrogativa de avaliar cursos de graduação, função que cabe ao Ministério da Educação. O IBA, nesta gestão, terá uma comunicação direta com os cursos de graduação em Atuária com o intuito de oferecer diálogo sobre a reestruturação curricular que porventura seja necessária se fazer e também tentará fornecer subsídios para ajudar os cursos neste sentido. Caberá também ao IBA agir junto ao MEC para que as diretrizes curriculares nacionais para o curso de Ciências Atuariais sejam finalmente promulgadas.

Quais são as expectativas quanto a “interiorização” do IBA para regiões como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará?

Esta é uma das principais idéias de nossa campanha – atrair e reunir os atuários que estão fora do eixo Rio-São Paulo e que muitas vezes se sentem excluídos das decisões. A idéia principal é desenvolver uma rotina periódica e amiúde de conversação com os representantes regionais, mas deixar claro que o IBA é para todos e o canal de comunicação pode e deve ser direto, não necessariamente somente via representante regional.

Quais são as perspectivas do IBA tornar-se um Conselho?

Este é um objetivo acalentado a várias gestões, ainda sem sucesso, infelizmente. Nesta gestão, teremos este como um dos objetivos principais também e para torná-lo uma realidade agiremos diretamente com fontes políticas para que este assunto seja levado diretamente e oportunamente ao Congresso.

O Provisões agradece a professora Natalie pela entrevista e deseja uma boa gestão a ela e seu vice.

2 respostas a Entrevista com Natalie Haanwinckel

  1. Leo Herrera diz:

    Parabéns à nova presidente do IBA!
    Agora fica a expectativa de que haja evolução na área acadêmica, como a discução dos currículos dos cursos de CA capitaniada pelo IBA. O congresso do ano que vem seria uma boa oportunidade para fazer essa e outras discussões.

    Aqui na UFRGS, aguardamos convite para participar!

  2. Vitor Navarrete diz:

    Essa história do conselho é pior que a conta do CA aqui da UFC😛

    Boa Sorte a nova gestão

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