Cartão Aluguel: o novo garantia estendida?

Há alguns anos, grandes redes de varejo e indústrias de eletro-eletrônicos começaram a comercializar junto a seus produtos a chamada garantia estendida. Por uma pequena diferença no valor de um microondas, por exemplo, a garantia passava de um para dois ou três anos. Uma atividade que envolve riscos, em contrapartida do pagamento de um “prêmio” e garantias futuras de reestabelecimento de situação econômica. Uma atividade eminentemente securitária, e que por isso passou a ser realizada por seguradoras.

Agora, um novo produto, a ser lançado pela Caixa Federal, que noticiamos no Resumo da Semana X, deverá seguir o mesmo caminho de polêmicas e discussões que cercaram a regulamentação da oferta dos chamados seguros de Garantia Estendida.

O Cartão Aluguel, é um seguro que o cliente vai torcer para não usar. Mais ainda do que torceria se tivesse feito um seguro contra a morte, pois cobrará taxa de juros de cartão de crédito, cerca de 10% ao mês. Ou seja, a economia de alguns de alguns trocados na aquisição do seguro, vão por água abaixo com anuidades e taxa de juros.

Mas como esse não é um blogue de consultoria financeira, quero tecer uns comentários sobre o caráter securitário deste produto, que,  apesar das características de uma cobertura de seguros, deverá funcionar como uma prestação de serviço.

A regulamentação de um seguro deve proteger o consumidor e assegurar a ele direito judicial. Sem regulamentação, não se pode agir em defesa do consumidor em eventuais problemas. Embora duvide muito que a Caixa não venha a ter capacidade de honrar seus compromissos com os proprietários de imóveis, a fiscalização sobre as seguradoras e, principalmente, os seus controles internos e formas de precificação deste tipo de produto são muito mais sofisticados que a das administradoras de cartão de crédito.

Com o comprometimento da Caixa em quitar alugueis de um contrato, que pode ser de 3 ou mais anos inclusive, passa a haver a necessidade de cálculo e constituição de provisões técnicas para o pagamento dos futuros sinistros, principalmente, por não haver uma certeza de recebimentos.

Na Caixa ainda não há qualquer informação sobre o produto, mas como o grupo possui uma seguradora,  o negócio poderá muito bem incluir um produto de seguro fiança dentro do cartão de crédito, o que, obviamente, o tornará menos atrativo. Na semana passada fiz contato com a Susep sobre o assunto e ainda aguardo resposta.

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